Quando se opta por acolher no coração o orgulho e o rancor, que outra conseqüência pode ser experimentada, se não o sofrimento? Isso não petrifica apenas o coração, impedindo-o de sentir o amor verdadeiro que devemos ter uns pelos outros, que dá de si mesmo sem esperar nada em troca. Isso petrifica os ouvidos e o cérebro, impedindo-os de ouvir e respeitar verdades diferentes daquelas que julgamos as mais corretas. O mundo é feito de infinitos caminhos e realidades, cujas escolhas vêm de um dom de Deus chamado livre arbítrio. Se nos foi dado esse dom por Ele, nos foi também concedida a colheita inevitável daquilo que plantamos.
Ninguém sabe das angústias que cada um guarda em si no mais profundo silêncio, por não saber quando ou com quem partilhar. Então, se torna muito fácil, quando nos usamos como parâmetros, julgarmos o grau de erro ou de acerto das atitudes e decisões que os outros tomam. Empatia não significa o que eu faria se estivesse no lugar do outro. Empatia é realmente sentir o que o outro sente. É a via da compaixão.
E não digo que é fácil abrir mão de orgulho e rancor para que só o amor permeie nossos atos. Muitas vezes, nos justificamos em não dar aquilo que não recebemos do mundo ou, principalmente, quando não recebemos exatamente daqueles de quem mais precisamos e que, por coincidência ou não, são também os que mais precisam de nós.
É um exercício contínuo. Praticar também é uma opção.
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