terça-feira, 10 de novembro de 2009

:: Mas é claro que o sol... ::

Deixe-me anoitecer, porque eu acredito na alvorada. Pode ser noite longa, com céu nublado, mas eu acredito na alvorada. Pode faltar luz, podem surgir vozes de fantasmas em cada canto da casa, pode o medo tomar conta de cada canto do meu corpo. Eu sei que vai vir a alvorada. Nada terá tamanha força, nada será tão duradouro, ninguém imprimirá ordem que impeça de vir a alvorada.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

:: Cadê meu pote de ouro? ::

Não existe!

domingo, 27 de setembro de 2009

:: Sinistro ::

Eu faço parte de 10% da população mundial. Essa "disfunção" motora, por incrível que pareça, ainda não tem explicações científicas consolidadas, apesar de um certo favorecimento a explicações genéticas e probabilidades estatísticas.
Digo "disfunção", porque praticamente toda a funcionalidade do mundo está em favor dos destros. Agora me veio uma dúvida: será que inclusive a mão inglesa corrobora? Enfim...
A despeito de alguns improvisos, consigo manusear os utensílios "adestrados" com a mão esquerda sem grandes malabarismos. Mas, aos 9 anos, sofri seqüelas decorrentes do uso costumeiro da sinistra mão.
Ao descer uma ladeira de bicicleta e perceber que ela atingiu uma velocidade à beira do incontrolável, qualquer ser humano apertaria o freio para manter o equilíbrio. Qual freio o canhoto acionaria primeiramente? Resposta óbvia. A qual pneu corresponde o freio da mão esquerda? O da frente. O que dizem as leis da física a respeito de uma bicicleta descendo uma ladeira em alta velocidade, quando o pneu da frente é freado? Mostro as respostas no meu corpo, se alguém precisar ver.
Estas cicatrizes correspondem a um mínimo, perante a repressões e estigmas sociais históricos que sofreram canhotos, por toda uma série de superstições associadas ao esquerdismo.
Apesar de minoria, é possível ser canhoto num mundo moldado para destros. E isso não é concessão. É aceitação.
Já quanto a outros sinistrismos...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

:: Me dá? ::

Vontades gritam, necessidades esperneiam, desejos se espalham em letreiros e outdoors. Mas é tão bom quando a gente consegue o que quer sem precisar pedir...

:: Sem medida ::

Comprei uma fita métrica. Ando medindo variações de humor, mudanças de estações, alterações de planos. E percebi que quase tudo se repete. Quando o ciclo se fechou, chorei e sorri, desci e subi, escureceu e clareou. Mas eu não gosto mesmo de me alimentar do óbvio. E nas entrelinhas, naquela variação milimétrica, em letras menores que as da bula do remédio, estava o propósito inédito de cada ciclo. Já deixei passarem muitos. Mas o tempo intende a favor da percepção.

"Sempre que alimentamos a alma, ela garante a expansão."
[Clarissa Pinkola Estés - Mulheres que correm com os lobos]