quinta-feira, 1 de julho de 2010

:: Então tá ::

Quando nos deparamos com uma pessoa que não sabe lidar com determinado tipo de sentimento, ou assumimos a postura de não nos envolvermos, afinal cada um deve se descobrir e se conhecer perante suas dificuldades; ou assumimos postura compassiva e damos nossa contribuição com nossas experiências, ao mesmo tempo em que devemos respeitar o tempo e a capacidade de cada um. Mas há quem, por dificuldade de percepção ou por espírito de porco, dê sua contribuição para piorar as coisas. Ou ainda, piora as coisas e não entende determinadas reações, se sentindo vítima destas.
Eu tenho meus motivos. E se eles correspondem a minhas fraquezas, caberia compreensão. E se esta me é negada, ainda que eu tenha dado motivos, não vou reivindicar a mão que me faria companhia. Há coisas que só cabem a mim. Irrevelado. Incompreensível. Não sei do que preciso, mas sei o que quero. Não sei como descobrir o primeiro, nem como realizar ou me desfazer do segundo, caso reconheça como algo desnecessário. Sozinha, vou errando, porque do erro não me arrependo. Aprendo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

:: Complexo ::

Se tudo pudesse ser tornado relativo, o que de fundamental restaria? Se teu amor é condicional, a quem de fato tu amarias? Se mesmo o amor é pra ti relativo, tua razão também não seria? Pois sendo um ser integral, ao relativo o que bastaria? Pois te digo, reagindo à tua oferta, se a verdade é um menor ativo, até para ti tu mentirias. Não seria essa minha paranóia um arsenal a proteger-me da hipocrisia?

O texto acima foi escrito por Pedro Jácome de Moura Júnior, que forma dupla comigo na disciplina de Teoria das Organizações. É parte da resenha crítica relativa à aula de Teoria da Complexidade. E o que tem isso a ver com organizações? TUDO!!!!!

Por mais que muita coisa tortuosa apareça em minha vida, eu sou a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa, porque tudo tem uma razão de ser.

domingo, 6 de junho de 2010

:: Desconstrução ::

Necessidade não é um mero vazio criado para justificar nosso apelo por aquilo que nos falta. Ela existe por si mesma, de uma forma que não se pode identificar a origem. Eu não sei por que preciso, mas acho que não é só pela razão de não ter. Isso nos acompanha todos os dias, enquanto não encontramos a fonte para matar a sede.
É bem verdade que há escolhas e há enganos. De maneira impetuosa, gostaríamos de encontrar a solução no primeiro instante em que nos deparamos com a possível interrupção da necessidade. Todo nosso eu se convence e se põe em batalha para obter aquele alento. Até que chega o ponto em que descobrimos que não era para isso que deveríamos estar caminhando.
Existe alguma essência por trás das ilusões criadas. Desfazendo capa a capa, véu a véu, estaria a verdade olhando para nós com ares de compaixão, querendo de nós apenas o aprendizado da lição, para que diminuam os erros em uma nova busca. Parece difícil perceber que água e óleo não se misturam, embora possamos agitá-los a ponto de obter essa ilusão.
Deixa quieto para ver. Agora desfaça-se do barulho. Desfaça-se da decepção do engano. Desfaça-se do cansaço de correr atrás do vento. E recomeça.

Ah, sim, dói mesmo transformar em ninguém quem transformou o meu sentimento em nada que se digne de um mínimo de respeito. Bastava isso: respeito. Reciprocidade seria lucro. Vão dizer que já haviam me dito, mas eu quis provar o contrário. Com que mérito? De nada adianta jogar pérolas aos porcos. Quem é acostumado a comer lama não reconhecerá valor naquilo que não é lama. A culpa não está em quem não reconhece. Está em quem insiste. Perdão.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

:: Só sei que o mundo vai de lá pra cá... ::

... andando por ali, por acolá. Querendo ver o sol que não chega. Querendo ter alguém que não vem.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

:: Estou falando de fome ::

Todo dia é um exercício de abstração das coisas que só eu sei em que medida me incomodam, e pouco importa saber se outros suportariam mais que eu, se eles têm sua própria fórmula para lidar com seus problemas, nem é meu intuito convencer ninguém de que minhas causas são suficientes para justificar um momento ou outro de fraqueza. Nem sempre eu estou apta a deter nas mãos o controle do que me afeta. Apenas isso. E tudo que eu menos quero transparecer de mim é o papel de coitada, embora a interpretação alheia só consiga entender desta forma.
Gostaria de encontrar quem entendesse que não quero ser auto-suficiente. Não quero ser toda a fonte de força que me sustenta. Não quero pena. Quero o direito de sentir fome. Não quero manter fome insaciável. Não estou pedindo esmolas. Quero alguém que me alimente enquanto eu não puder fazê-lo com minhas próprias mãos. Quero, sim, precisar das pessoas para isso. Precisar de alguém não é demérito. No dicionário isso recebe o nome de humildade, virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza. Não tenho vergonha em mostrar minhas fraquezas, nem de dizer às pessoas que estou precisando delas. Mas eu tenho que aprender a precisar das pessoas certas, porque há quem seja adepto da omissão e da indiferença. E mais uma vez ela: conveniência.

terça-feira, 27 de abril de 2010

:: ... ::

Quando se opta por acolher no coração o orgulho e o rancor, que outra conseqüência pode ser experimentada, se não o sofrimento? Isso não petrifica apenas o coração, impedindo-o de sentir o amor verdadeiro que devemos ter uns pelos outros, que dá de si mesmo sem esperar nada em troca. Isso petrifica os ouvidos e o cérebro, impedindo-os de ouvir e respeitar verdades diferentes daquelas que julgamos as mais corretas. O mundo é feito de infinitos caminhos e realidades, cujas escolhas vêm de um dom de Deus chamado livre arbítrio. Se nos foi dado esse dom por Ele, nos foi também concedida a colheita inevitável daquilo que plantamos.
Ninguém sabe das angústias que cada um guarda em si no mais profundo silêncio, por não saber quando ou com quem partilhar. Então, se torna muito fácil, quando nos usamos como parâmetros, julgarmos o grau de erro ou de acerto das atitudes e decisões que os outros tomam. Empatia não significa o que eu faria se estivesse no lugar do outro. Empatia é realmente sentir o que o outro sente. É a via da compaixão.
E não digo que é fácil abrir mão de orgulho e rancor para que só o amor permeie nossos atos. Muitas vezes, nos justificamos em não dar aquilo que não recebemos do mundo ou, principalmente, quando não recebemos exatamente daqueles de quem mais precisamos e que, por coincidência ou não, são também os que mais precisam de nós.
É um exercício contínuo. Praticar também é uma opção.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

:: O amor urge ::

Amor, tamanho único, sem recortes, sem brilho ou adereços que permitam escolha por predileção. Amor que explique por que a sorte de tê-lo não escolhe os mais belos, os mais ricos. Amor sem cadeia hierárquica, sem plano de carreiras que faça alguém subir na vida por seu intermédio. Amor com contratempos e intempéries como itens de série. Amor brotando da terra e dos poros. Amor farto que não sobra, não perece. Amor multiplicado por ausência. Amor que não se materializa em pessoa, animal ou coisa inerte. Amor, sujeito simples, substantivo etéreo.

"Amor que não se pede... não se mede... não se repete... amor."